Meu querido pai, ontem de tarde fez uma bela noite! O Sol brilhava entre as trevas. E eu, sentado em numa pedra de pau, à sombra de uma árvore sem troncos nem galhos, escutava atentamente um mudo a falar alto e em bom som para uma dúzia de dez surdos. Ao longe, bem próximo dali, havia um bosque sem árvores. Os pássaros saltavam de galho em galho, e os elefantes descansavam à sombra de um pé de couve. Pensando melhor, não era um pé de couve, mas sim um pé de alface. Corri devagar em direção à minha casa, e entrei pela porta dos fundos que fica na parte da frente. Como já era cedo, deitei o casaco em cima da cama e pendurei-me no cabide, onde, após dormir um bom sono, sonhei que estava acordado. Foi nesse momento que dei marcha a ré e rumei de frente para a casa de banho, onde me serviram o jantar. Depois de ter comido o guardanapo, limpei a boca com o bife, olhei para o lado e vi um cego a ler um jornal sem letras, que dizia: “Os quatro maiores profetas eram 3: Abraão e Jeremias!”.
Breve e longa carta sem nexo de um órfão…
